PRISIONEIRO DO TEMPO, © 2007
Querem-me fácil de modelar,
Para ser marioneta deste circo profissional,
Movido por fios invisíveis, sem voz,
Mas não, obrigado, não me encaixo nessa farsa.
Prefiro ser o palhaço ranhoso,
O que ri das próprias desventuras,
Que tropeça, que cai, que se levanta,
Mas que não precisa do vosso lenço para se assoar.
Sou o caos que desafia a ordem,
A piada fora de tempo que ninguém espera,
O sorriso torto que desarma as regras,
E na minha desordem, encontro a liberdade.
Não quero ser moldado, não quero ser guiado,
Prefiro ser o improviso, a nota desafinada,
Porque, ao menos, no meu riso desleixado,
Sei que sou verdadeiro, sem máscara dourada.
Então, fiquem com o vosso circo bem armado,
Com as marionetas bem ensaiadas,
Eu fico com a minha liberdade,
E com o meu lenço, vou navegando.