ALMA GRANDE NO MEU PAÍS 2 © 2008

É em ti que alugo o meu olhar,

Nestes momentos tardios, sou o foco, a chorar,

Não porque queira ou porque a lágrima seja fácil,

Mas porque és a fogueira, que em desdita arde, frágil.

Crepita, eterna guerreira, cansada nos latidos,

A dor enviou-me ao nada, aos caminhos esquecidos,

E nesse fogo que consome, encontro o meu destino,

Nos teus olhos, vejo a chama, mas também o desatino.

Cansado, mas ainda preso à tua luz,

Sou o usuário de um sentimento que seduz,

E mesmo que a dor me leve ao vazio, sem cor,

É em ti que encontro, no final, a verdade do amor.