ALMA GRANDE NO MEU PAÍS 2 © 2008

Estou a entornar-me num copo,

Onde os reflexos dos outros se esbatem,

Na face do meu rosto,

Caio no chão, preso ao desgosto,

Não consigo ser eu, sem esconder o que trago.

Uso um véu que disfarça a minha pureza,

Tornei-me um ator profissional,

Engano-me com a falsidade que criei,

Vivo num palco onde o eu se perdeu,

E na ilusão do papel, a minha verdade se esvaiu.

Sinto o peso do disfarce, o cansaço a consumir,

Mas continuo na peça, sem poder sair,

Cada dia uma nova máscara, uma nova mentira,

E no fundo, sou apenas a sombra de quem um dia já fui.