ÚLTIMO CICLO © 2008

Deixemos de enredos, de florescentes ilusões,

O filme atual é duro, pede nossas reflexões.

A humanidade, assim, não pode persistir,

Neste palco a peça já está a ruir.

A representação, repetida, já está mais que gasta,

Em cada revista, cada meditação, a verdade se afasta.

Foste um arco, em tensão constante,

Mas no combate diário, esqueceste o importante.

A íris que vês, precisava de cor,

De brilho, de vida, de alma, de amor.

E quando te reconheceste, o espelho te falou:

"Não és nada", o reflexo te calou.

Nem um reflexo distorcido, ou o riso infantil,

Aquele beicinho mimado, já sem perfil.

Outrora amado, de queixo erguido,

Agora vazio, num mundo esquecido.