ÚLTIMO CICLO © 2008

Viver na mais pura inocência, sem pressa ou condição,

Na ideia de plenitude, sem arremesso ou pressão.

À vontade, sem sede do futuro a desbravar,

Na lavoura ancestral, onde o tempo sabe esperar.

A partilha das safras, em ambiente seguro,

Onde a vida se perpetua no ciclo maduro.

Nas danças dos arraiais, onde o riso é liberdade,

As moças, com passos leves, encarnam a suavidade.

E então, afrontam o coração com desejo profundo,

Um anseio carnal que ultrapassa o mundo.

Nas eiras distantes, longe do rumor da multidão,

A entrega plena acontece, sem hesitação.

A face morena, rubra de paixão e de cor,

Desperta na luz matinal o eco do amor.

Serena e vibrante, nas primeiras horas do dia,

Acorda a vontade, em perfeita harmonia.