ÚLTIMO CICLO © 2008

Diz-se que no silêncio a palavra se cala,

Mas como, se o pensamento voraz jamais se abala?

Ele percorre os labirintos da mente sem descanso,

Em busca da textura, do verbo, do encanto.

A mente infinita, num frenesi sem cura,

Redesenha o quadro da sua própria loucura.

Diálogos nascem, sem limite ou censura,

Onde a voz interior nunca conhece a ternura.

Nunca medidos, nem contidos, esses ecos aclamam,

Sem a régua do equilíbrio, os sentidos inflamam.

E assim, no silêncio, a palavra ganha cor,

Mesmo sem ser dita, ela vive com fervor.