UM GRITO EM LIBERDADE © 2008

Nos dias em que não escrevo,

Ando à deriva a inalar as impurezas,

Com a minha alma em relevo,

A deleitar-se nas profundas tristezas.

E quando assim não é possível,

Fico cabisbaixo, intratável,

Para o consumo social, distante,

Mas profundamente observante.

Vejo o mundo sem interagir,

Como se fosse um espectador calado,

E a dor, que em mim insiste em surgir,

Faz do silêncio o seu legado.

Escrever é a fuga, a libertação,

Mas nos dias de palavra ausente,

Carrego o peso da solidão,

Como quem vive, mas não sente.