LINHAS DE PENSAMENTO © 2013
Na vida, quando parares de representar,
Deixarás de ser útil ao cenário que tanto tentas agradar.
As máscaras que vestes, uma a uma, cairão,
E nas pinceladas naturais do tempo,
Serás apenas mais uma sombra em vão.
Apagado do quadro, corrompido pelo artifício,
Esquecido nas cores universais, sem sacrifício.
As lágrimas, essas, escorrem como tinta borrada,
Desfazem a imagem que criaste, já desfigurada.
E o ranho que teimar em descer pelo nariz,
Limpo pela manga da camisola rasgada,
Que a esmola, fria e vazia, nunca te quis dar,
Deixa-te ao fundo das escadas de um domingo a brilhar.
Enquanto isso, na vida paralela que segue,
A linha da paragem do autocarro,
Ocupada por quem não se entrega.
Uma viatura de alta cilindrada, alheia ao caos ao redor,
Como quem ignora a luta invisível, e se esquece do amor.
E assim, entre o representar e o ser,
Ficas num limiar onde a verdade parece se perder.
Mas no fundo, nas cores que a vida insiste em pintar,
Está o eco de um ser que ainda pode encontrar o seu lugar.