LINHAS DE PENSAMENTO © 2016
Um amor assim, nunca o viveste,
O que partilhaste, foi apenas uma réstia,
Uma ténue centelha que mal se percebeu,
Enquanto o verdadeiro fogo, em vulcão adormecido, cresceu.
A lava incandescente, silenciosa,
Borbulha nas profundezas, perigosa.
Aquece as entranhas do universo secreto,
O coração, o centro de tudo, discreto.
Ainda bate lento, de forma ritmada,
Desobstruindo as artérias, em sua jornada.
Os tentáculos do desejo estendem-se e preparam,
Para o momento incerto, que os amantes não esperavam.
E então, num gesto explosivo e cruel,
A lava irrompe, ardente como fel.
Queima tudo, em sua fúria destrutiva,
Consumindo os amantes, em sua força primitiva.
Pois um amor assim, intenso e voraz,
Não conhece limites, nem jamais tem paz.
E no seu fogo, ardente e sem piedade,
Deixa para trás só cinzas e saudade.